Um texto de intenções
Depois de muitas noites e dias, pensámos uma selva desenhada de árvores fotografadas. Grandes as imagens, entre o traço riscado e o pixel, na convergência possível dos mundos.
O impressoimproviso nasceu assim. Da necessidade de unir formas de olhar para o mundo e da vontade de construir um projecto artístico que desse voz e corpo às pessoas reais do agora e que falasse de uma forma esteticizada e factual, da beleza desgastada do quotidiano, desta vida contemporânea, capitalista, consumista, tecnológica, com fossos sociais profundos, aligeirados por uma pátina democrática.
Interessava-nos pensar um objecto artístico não esvaziado de sentido político e que se afirmasse enquanto projecto documental, que se constrói enquanto questionamento da realidade e não mais mimésis, aparentemente isenta de autoria e com influências da street art, no apelo social e na vontade de intervenção com e para as pessoas.
A impressão como elo de finalização prática dos trabalhos fotográfico e de manipulação e ilustração digital e o improviso enquanto expressão performativa de integração do outro na obra, constituem as linhas estruturantes do impressoimproviso.
Depois veio o desenho em palavras. O discurso artístico necessita de contextualização teórica, de um manifesto, porque a palavra é uma ferramenta poderosa, que nos faz sentir e ver imagens que ainda não tínhamos sonhado ou que nos faz dar corpo às sensações disformes, razões mais significantes do que uma prática artística puramente conceptual.
O impressoimproviso é um projecto artístico site-specific, que ajusta a sua praxis – ideia, construção formal do projecto e opções finais de apresentação – aos locais onde é realizado, em função das condições geográficas e dos contextos social, politico e cultural. Assume-se como uma instalação de carácter performativo e documental.
O público não é convidado a contemplar, mas a ser a obra; a conhecer o projecto, a ouvir o que propomos como manifesto, a partilhar opiniões sobre os temas discutidos e a ser fotografado.
Os projectos: Manifesto sobre o tempo, Revolução dos escravos, Produto humano, Qual é o teu crime?, O peso do beijo e O protesto é um pretexto, apontaram o questionamento da contemporaneidade, na sua profusão de abundância e falta, velocidade e memória, passado, presente, futuro e na ambivalência de existir enquanto herança, indivíduo e produto.
A performance é composta por vários momentos: pelos retratos fotográficos realizados no estúdio improvisado, pelo tratamento digital das imagens, pela construção dos compósitos de ilustração e fotografia, pela impressão digital e pela aplicação das imagens no suporte escolhido- painel/parede/muro– acções ao mesmo tempo técnicas e artísticas.
As instalações visuais do impressoimproviso, foram construidas numa linha estética entre a inspiração de carácter pictórico e a organização imagética sequenciada.
A duração da obra é a do tempo necessário à sua realização. O objecto artístico, pelo seu carácter performativo, desaparece após a sua conclusão, permanecendo apenas enquanto registo fotográfico documental e não como obra física.