











[fotografia: ana pereira]
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foram mais de 100 pessoas, mais de 100 beijos: o impresso improviso esteve em vila do conde, no centro de memória, a construir mais um mural, desta vez sobre “o peso do beijo”.
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foram mais de 100 pessoas, mais de 100 beijos: o impresso improviso esteve em vila do conde, no centro de memória, a construir mais um mural, desta vez sobre “o peso do beijo”.
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o beijo é um bem-querer. entre amigos um adeus ou um olá. nos amantes, a paixão. basium é como se diz em latim. o toque dos lábios em qualquer coisa, em alguém. o beijo é tão antigo quanto homem. nos primitivos era para os deuses. nos gregos e romanos para toda a gente. o beijo é química: 9 mg de água, 0,7 g de albumina, 0,18 g de substâncias orgânicas, 0,711 mg de gorduras e 0,45 mg de sais. e matemática: 29 músculos em movimento, 12 quilos de pressão, 3 sentidos em acção. tudo é beijo. a ciência do beijo, o fobia do beijo, a doença do beijo, a academia do beijo, o dia mundial do beijo. o beijo devia mandar! o beijo é uma arte. casablanca no cinema, romeu e julieta na literatura. 30 versões ilustradas no kamasutra. o beijo é o sapo que vira príncipe! o beijo de língua, o beijo francês. mata o desejo, já dizia o poeta aleixo. é uma linguagem, um diálogo universal. e não se aprende, sabe-se. o beijo pode ser um pesadelo. tem uma boca por trás. dentes podres, mau hálito e herpes. 250 vírus e bactérias, a gripe. o beijo e-m-a-g-r-e-c-e! 12 a 15 calorias em 10 segundos. 400 em 5 minutos. é o beijo de olhos de don juan. ou o beijo de olhos fechados. o primeiro-beijo. a memória: sabe, sente e cheira para sempre. um beijo dá-se em todas as línguas: bacci, beso, bisous kiss, kuss e Kuchizuke. e tem sotaque: beijoê no puarto, veijo em biána, bêjo no alentejo. em lisboa são treuze beijos encarnados. a planta é o beijo-de-frade. o beijinho, um doce tradicional ou uma concha do mar. um beijo na mão é um gesto romântico. o beija-mão, um sinal de reverência. o beijo é um acto ilícito. pode ser roubado. ou proibido. mas não acarreta prisão. o beijo é partilha. um processo de transferência. um choque frontal. é infinito: 24 mil por pessoa na vida; 2 biliões de possibilidades na terra. um beijo não se recusa. um beijo na face pede-se e dá-se!
o impresso improviso esteve no plano b a 19 de dezembro de 2008. foram 6 horas a 6 mãos, com papel, impressora, máquina fotográfica e computador, 78 pessoas fotografadas e uns quantos crimes por resolver….

havia um muro bem alto que separava o mundo de uma caverna escura, onde se mantinha prisioneiro um grupo de homens desde sempre. acorrentados e privados de luz, as sombras dos outros homens que passavam frente à caverna eram a única coisa que alguma vez haviam visto. a alegoria de platão tem tantos séculos quantos os necessários para nos lembrar da nossa eterna condição de prisioneiros. prisioneiros do bem e do mal, das armas que disparamos, da comida que desperdiçamos, das tecnologias que inventamos. prisioneiros das leis que roubamos para enriquecer ou para comer e que infringimos para estacionar e para não pagar. prisioneiros da verdade e da felicidade, seja lá isso o que for… prisioneiros da animalidade e do nascer-comer-cagar-foder-procriar-dormir-e-morrer. prisioneiros do consumo, do trabalho, do dia e da noite, da razão e da falta dela, da paixão, da ambição, do ar parar respirar e viajar, do mar para mergulhar e pescar. dos vícios também. e das linguagens, das etnias, das massas corporais, das fisionomias, das diferenças sexuais. prisioneiros de um mundo que volta e meia ameaça explodir. prisioneiros do comodismo, a viver atrás da sombra, a ver o mundo da secretária, a deixar a vida acontecer na televisão. prisioneiros da gravidade, pois de outra forma seríamos eventualmente uma matéria inerte a vaguear pelo espaço. e não fosse assim, talvez acabássemos prisioneiros de um futuro pré-condicionado, em exércitos de homens perfeitos e todos iguais, videovigiados a tempo inteiro. livre é aquele que pensa. crime é ser prisioneiro da ignorância ou da indiferença. porque a sombra, afinal, não era tudo… havia uma imagem. e, à frente dela, uma pessoa.
mafalda martins – texto | geodesouza – manipulação | ana pereira – fotografia
o impresso improviso integra o programa oficial do festival “se esta rua fosse minha“, organizado pelo plano b, que decorre dia 4 de outubro de 2008, na rua cândido dos reis, no porto. o tema do improviso é o “produto humano” e toda a gente vai estar em saldos!
produto humano
somos nós e estamos todos aqui. expostos nas prateleiras, brinquedos de um sistema. somos os últimos preços de um saldo de verão. nós, a profissão, a idade, a experiência e um ou outro defeito. somos bons produtos, mão-de-obra especializada, boa apresentação e educação aprimorada, saber dos livros e das línguas acumulado no passivo da memória, facilidade de relacionamento, de adaptação e de integração. somos mercadoria.
quantos designers vale um mecânico? quantos mecânicos vale um reformado? quantos reformados vale uma empregada de limpeza? quantas empregadas de limpeza vale um futebolista?
a fórmula é esta: características físicas + capacidade intelectual : herança familiar x educação + saúde x Y = valor humano!
o “Y” é a variável arbitrária para o número de profissionais na mesma área, o grau de exigência manual do trabalho, o investimento intelectual, a a experiência acumulada. Y é ainda o factor influência ou, em última análise, a sorte!… no final, valemos sempre X, com % de desconto.
será esta má distribuição da riqueza que nos torna humanos? quem sabe… … …mas que estes cálculos não nos afastem do caminho, porque precisamos de comprar todas aquelas coisas que nos vão tornar na pessoa que gostaríamos de ser.
[mafalda martins *a partir de um texto de ana pereira]
o impresso improviso aconteceu na MUUDA durante a tarde do dia 14 de junho de 2008.
pela primeira vez o impresso improviso não foi realizado sobre uma parede, tendo como suporte três painéis amovíveis. recorrendo aos objectos e às roupas comercializadas na galeria MUUDA, bem como as pessoas que visitavam o espaço, foi criada e impressa uma montra.
a segunda edição do impresso improviso decorreu no dia 25 de abril de 2008, nos maus hábitos [rua passos manuel, porto] . o tema foi a “revolução dos escravos“ [texto].
a segunda edição do impresso improviso, que decorreu nos maus hábitos, no dia 25 de abril, foi uma experiência bem mais tranquila e eficaz do que a anterior. estudámos uma ilustração-base antecipadamente, preparámos os materiais, discutimos a (r)evolução-dos-(es)cravos e nessa tarde isoladamente quente de abril lá estávamos, no apartamento da rua passos manuel, de janelas abertas para o coliseu e sobre o porto. acertámos as medidas, aprontámos a parede e colámos o fundo, com receio de não haver tempo para tudo mais à noite. o serão começou calmo, com os funcionários da casa a posarem com inspiração e humor no pequeno cenário branco da ana, instalado na sala principal. o mote seriam as imagens sagradas de adoração e martírio usadas nos trabalhos de caravaggio no séc. XVI. durante o decorrer da noite, as pessoas contactadas foram aceitando mais ou menos timidamente o desafio, mas todas assumindo e até superando a teatralidade necessária. foi curioso verificar que praticamente todas os abordados aceitaram espontaneamente participar no projecto. o resultado foi, por tudo isso, excelente!
o tempo correu depressa, sob o stress e o suor do geo, e a parede teria ficado terminada às quatro horas, não fosse o tinteiro ter falhado redondamente. só dias mais tarde foram coladas os últimas peças do puzzle dos adoradores-e-oprimidos-da-tecnologia-e-do-consumo. falhou o registo sequencial da evolução da parede, que seria a base de um filme animado. [mafalda martins]
[fotografia: ana pereira e mafalda martins]
fomos cinco os impressoimprovisados – a ana, o geo, a maf, o joão e o iago – embora a ficha técnica do projecto refira só quatro. é sempre difícil o trabalho em grupo sob stress mas, à parte de questões menores, o saldo foi uma vez mais positivo. tão positivo, que o iago, o elemento mais jovem do grupo, conquistou um papel activo e integrará a ficha técnica da próxima edição do impresso, que está a caminho: é já no sábado, dia 14, durante a tarde, no espaço muuda.
a parede ficou nos maus hábitos durante algumas semanas e acabou por integrar um-quinto-de-segundo da versão mais longa do anúncio da super bock filmado neste espaço… os direitos de autor é que foram pró tecto, claro!
2. o dia
[fotografia: acção ana pereira * mural mafalda martins]
não gosto de improvisar e não gosto de trabalhar em grupo. um bom começo para o impressoimproviso!
o improviso sentia-o na incerteza de quem viria e na interacção com as pessoas, mas as pessoas vieram e com disponibilidade e entrega a um fundo branco, à minha máquina e ao improviso. soube-me bem a rapidez na execução do projecto, desde a primeira idéia com o geo, chamar a maf no domingo à tarde para falarmos do texto, o texto aparecer, o paulo vir, a preparação em minha casa, depois nas marias e de repente já era o dia e depois já era a festa e agora já foi tudo.
processo completo e concertado, acção e comunicação visual, desdobrável, cartaz e blog. os meus projectos pessoais demoram sempre anos a fazer e quando os mostro esqueço-me sempre de qualquer coisa. aqui não nos esquecemos de quase nada(talvez seja essa uma das coisas boas dos trabalhos em equipa!).
apesar do negro das paredes das marias, sentir que havia um espaço para regressar ao final do dia para continuar a trabalhar foi bom. deve ser essa a mística de ter um atelier, um espaço de trabalho.
beijo à ana em particular(porque nos aturou mais dias) e às marias em geral, por nos deixarem estar lá em baixo tão sossegadinho(a)s. só faltou mesmo trazer comigo para casa o cartaz da audrey hepburn, no breakfast in tiffany’s. [ana pereira]
1. a produção
[fotografia: mafalda martins]
preparar o trabalho. testar a impressão, improvisar o estúdio, fazer as primeiras colagens, construir os módulos, criar os fundos. jantar turco. tirar as dúvidas e calcular os timings. três maços de tabaco e dez cervejas. verificar o que funciona e o que fica de parte.
o primeiro impresso improviso acontece amanhã, dia 3 de novembro de 2007, às 16 horas, no espaço maria vai com as outras [rua do almada, 443, porto]. o tema é o “manifesto sobre o tempo” [texto].
[fotografia: ana pereira]
… uma máquina fotográfica, um computador, uma impressora, cola, papéis, tesouras e mãos. com, através e para as pessoas, o objectivo do improviso é, através da manipulação de imagens impressas, construir um mural. uma parede de pessoas, objectos e momentos presentes, um manifesto sobre o tempo.
o impresso improviso é um projecto site specific. no local do impresso improviso é instalado um pequeno estúdio onde são fotografadas pessoas e objectos, que vão passando pelo espaço no dia do happening, imagens que são depois tratadas, impressas e coladas num mural in loco. pode ser realizado numa parede ou em painéis amovíveis.
o impresso improviso é constituído por: ana pereira (imagem) – geo de souza (manipulação) – mafalda martins (texto)